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ORQUESTRA SINFÔNICA DODesde seu primeiro concerto, em 1954, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo — Osesp — trilhou uma história de conquistas, que culminou em uma instituição hoje reconhecida internacionalmente pela excelência. Com mais de 60 CDs lançados, a Osesp tornou-se parte indissociável da cultura paulista e brasileira, promovendo transformações culturais e sociais profundas. Além das turnês pela América Latina, Estados Unidos, Europa e Brasil, o grupo realiza desde 2008 a turnê Osesp Itinerante, pelo estado de São Paulo, promovendo concertos, oficinas e cursos de apreciação musical para mais de 170 mil pessoas. Em 2012, Marin Alsop assumiu o posto de regente titular, contando com o brasileiro Celso Antunes como regente associado e o francês Yan Pascal Tortelier como regente convidado de honra (2012-3). Neste mesmo ano, em sequência a concertos no festival BBC Proms de Londres e no Concertgebouw de Amsterdã, a Osesp foi apontada pela crítica especializada estrangeira como uma das orquestras de ponta no circuito internacional. Em outubro de 2013, a Osesp fará sua quarta turnê pela Europa e se apresentará pela primeira vez na Salle Pleyel, principal sala de concertos de Paris; na Berliner Philharmonie, casa da Filarmônica de Berlim; e no Royal Festival Hall, no Southbank Centre, principal centro de artes de Londres.
MARIN ALSOP regente
Regente titular da Osesp a partir de 2012, a nova-iorquina Marin Alsop foi a primeira mulher a ser premiada com o Koussevitzky Conducting Prize do Tanglewood Music Center, onde foi aluna de Leonard Bernstein. Formada pela Universidade de Yale, é diretora musical da Sinfônica de Baltimore desde 2007. Lidera atividades educacionais que atingem mais de 60 mil alunos: em 2008, lançou o OrchKids, programa destinado a prover educação musical, instrumentos e orientação aos jovens menos favorecidos da cidade. Como regente convidada, apresenta-se regularmente com a Filarmônica de Nova York, a Orquestra da Filadélfia, a Sinfônica de Londres e a Filarmônica de Los Angeles, entre outras. Em 2003, foi a primeira artista a receber, no mesmo ano, o Conductor’s Award, da Royal Philharmonic Society, e o título de Artista do Ano, da revista Gramophone. Em 2005, foi a primeira regente a receber a prestigiosa bolsa da Fundação MacArthur. Em 2013, será a primeira mulher a reger o "Last Night of the Proms", no festival londrino.
STEFAN JACKIW violino
Nascido em Boston em 1985, Stefan Jackiw começou a estudar violino aos quatro anos. Foi aluno de Zinaida Gilels, Michèle Auclair e Donald Weilerstein, e formou-se no New England Conservatory e na Harvard University. Em 2002, foi premiado com a Avery Fisher Career Grant. Já se apresentou como solista com as sinfônicas de Boston, Chicago, São Francisco, Bournemouth, Alemã de Berlim, as filarmônicas de Nova York, Londres, Estrasburgo, Seul e as orquestras de Cleveland, Filadélfia, além da Philharmonia e da Orchestra del Maggio Musicale Fiorentino. Em seu primeiro disco, interpreta as sonatas para violino de Brahms acompanhado pelo pianista Max Levinson (Sony, 2009). Em março, foi solista junto à YouTube Symphony Orchestra no Concerto Para Violino, de Mendelssohn, na ópera de Sydney, na Austrália, em concerto transmitido para mais de 30 milhões de pessoas ao redor do mundo.
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SERGEI PROKOFIEV [1891-1953]
Sinfonia nº 1 em Ré Maior, Op.25 - Clássica [1916-7]
- Allegretto
- Larghetto
- Gavotta: Non Troppo Allegro
- Finale: Molto Vivace
15 min
Depois de concluir seu Concerto Para Violino, durante uma idílica viagem de barco pelo rio Volga, Prokofiev prolongou seu refúgio em uma linguagem musical mais calma e “pura” planejando a conclusão de uma sinfonia “clássica”, projeto em que já havia trabalhado de maneira intermitente nos anos anteriores.
A inspiração fora dada, cinco anos antes, por Tcherepnin, cujo grande entusiasmo pelas sinfonias de compositores clássicos de fins do século XVIII, como Mozart e Haydn, se manifestara num período em que a obra deste último, em especial, quase não era executada.
Para Prokofiev, que antes desprezara Mozart, preferindo a música harmônica ricamente orquestrada e superaquecida de Alexander Scriabin, seu estilo bem definido e disciplinado e sua orquestração econômica, sem deixar de ser provocativa, foram uma revelação. [...]
A obra resultante, luminosa, alegre e de uma elegância cômica, tornou-se uma de suas composições mais conhecidas e admiradas. Foi o próprio autor quem lhe deu o título de Clássica, “para provocar”, com a secreta esperança de que o nome se provasse adequado “caso a sinfonia se transformasse de fato numa peça clássica e fosse incluída no repertório musical”. No final, a première ocorrida no ano seguinte não foi recebida como uma provocação: a sinfonia simplesmente encantou o público.
Daniel Jaffé, Sergey Prokofiev (Phaidon, 1998).
Tradução de Ivan Weisz Kuck.
WOLFGANG A. MOZART [1756-91]
Concerto nº 5 Para Violino em Lá Maior, KV 219 - Turco [1775]
- Allegro Aperto
- Adagio
- Rondeau: Tempo di Menuetto - Allegro - Tempo di Menuetto
31 min
Em 1775, dois anos após ter assumido o cargo de mestre de concertos da corte do Príncipe-Arcebispo Colloredo, em Salzburgo, Wolfgang Amadeus Mozart compôs seus cinco concertos para violino e orquestra, todos em três movimentos. O Concerto nº 5 KV 219 é provavelmente o concerto para violino mais apresentado do mundo. É também o mais elaborado da série composta por Mozart, com exigências técnicas inéditas para o instrumentista. Embora seja claramente construído dentro da tradição do concerto de câmara do Classicismo, ele se aproxima muito daquilo que será o típico concerto para instrumento e orquestra do século XIX. Estreou em 20 de dezembro de 1775, como parte das grandes festividades natalinas em Salzburgo, tendo como solista provavelmente o próprio compositor, que, aos dezenove anos de idade, era tão grande violinista quanto pianista.
Talvez por ter composto, naquele mesmo ano, duas obras para o palco lírico – A Falsa Jardineira e O Rei Pastor –, Mozart ainda estivesse imbuído do espírito teatral, e conferiu a este último concerto para violino um caráter claramente operístico. A alternância de três andamentos no primeiro movimento nos traz à mente uma gran scena onde o protagonista é o violino solista. Após o allegro aperto, majestoso e enérgico, com seu tutti orquestral colorido pelo som cálido das trompas, o solista faz sua entrada – como uma prima donna em sua ária – em um delicado adagio, para depois introduzir um novo tema, baseado no mesmo motivo que ouvimos na abertura enquanto a orquestra retorna ao allegro aperto.
O segundo movimento, um adagio muito expressivo apesar de sua singela construção, é impregnado de um lirismo que convida à meditação serena. O movimento final, adotando o mesmo procedimento dos dois concertos para violino anteriores, tem a forma francesa de um rondó, chamado pelo autor de tempo di menuetto. Nele, uma célula ascendente de cinco notas, já ouvida na abertura do primeiro movimento, surge nas trompas para depois ser retomada pelo violino solista. Esta célula se repetirá várias vezes entre os episódios do rondó até a irrupção de um interlúdio em Lá Menor, que Mozart adaptou da “música turca” por ele composta dois anos antes, em Milão, para o balé Le Gelosie del Seraglio (O Ciúme do Harém) de sua ópera Lucio Silla. Após este episódio – responsável pelo apelido de “concerto turco” por meio do qual a obra é conhecida –, o violino conduz a melodia novamente ao tempo di menuetto com uma cadência. O concerto termina de forma suave, com a frase ascendente de cinco notas executada ao mesmo tempo pelo solista e pelas trompas.
Yehudi Menuhin, um dos magos do violino do século XX, amava o Concerto nº 5, e nos conta como se apaixonou por ele: “Vi-me completamente seduzido pelas passagens em Lá Menor que dão ao Concerto o cognome “turco”. Como poderia meu senso de humor ter estado tão embotado a ponto de não perceber esse delicioso episódio surpreendendo o minueto clássico com brincadeiras militares turcas? [...] Mozart, tendo encontrado o caminho do meu coração com truques orientais e encanto burlesco, logo me envolveu com seu mais ínfimo ornamento.”
Sergio Casoy é autor de Ópera em São Paulo: 1952-2005 (Edusp, 2007).
ANTONÍN DVORÁK [1841-1904]
Sinfonia nº 7 em Ré Menor, Op.70 [1884-5]
- Allegro Maestoso
- Poco Adagio
- Scherzo - Vivace
- Finale - Allegro
35 min
Para mim, o compositor tcheco Antonín Dvorák é um artista muito mais complexo e profundo do que geralmente se considera. Suas lutas pessoais eram variadas e intensas, mas ele costuma ser retratado como um indivíduo bastante simples.
A escuta de sua Sinfonia nº 7 prova imediatamente o quanto isso é falso. Trata-se de uma obra multidimensional e sofisticada, que se baseia na tradição sinfônica de Beethoven e Brahms, mas com uma dimensão nova e nacionalista, que soa fresca e irresistível.
Brahms reconheceu o talento de Dvorák e até confessou ter inveja de seu dom para a invenção melódica. Foi Brahms, aliás, quem ajudou o compositor de pouca idade a conseguir publicar suas obras e ser levado a sério pelo establishment musical.
Dvorák escreveu sua Sinfonia nº 7 por encomenda da Royal Philharmonic Society, em 1884. A composição não poderia ter sido mais diferente de sua antecessora, a Sinfonia nº 6. Dvorák vivia um momento de crise. Sua mãe, de quem era próximo, havia morrido em dezembro de 1882, e ele estava aflito pela constante deterioração da saúde mental de Bedrich Smetana, o pai fundador da música moderna tcheca. Encontrava-se também numa encruzilhada em sua vida pessoal e profissional.
Devido a seu sucesso, estava sob crescente pressão, interna e externa, para consolidar sua posição e passar a ser um compositor internacional. Mas, na verdade, “internacional” significava austro-alemão. Esperava-se que ele se mudasse para Viena e escrevesse óperas sobre textos alemães, parando de importunar seu editor Fritz Simrock para que seu nome aparecesse como Antonín ou Ant., em vez do alemão Anton. Era difícil para ele dizer “não” aos conselhos bem- -intencionados de pessoas como Brahms e o crítico Eduard Hanslick. No entanto, negar sua própria herança étnica e linguística era impossível para alguém que se identificava com a crescente onda de nacionalismo boêmio.
Dvorák reúne a experiência pessoal da tragédia, um profundo amor por seu país e uma mente musical incrivelmente criativa, criando uma das peças mais emocionantes e gloriosas do repertório sinfônico. É para mim uma alegria colaborar com os músicos maravilhosos da Osesp dando vida a esta sinfonia para vocês, nosso público devotado.
Marin Alsop é regente titular da Osesp.
Tradução de André Fiker.